sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Maldito ônibus


  Deitado na cama, Leonardo lembrava-se da sua namorada que morrera há dois anos. Linda e com um sorriso sensual, saiu e falou a ele que voltaria mais tarde para irem ao cinema. Leonardo ficou vendo uma lista de cinemas e os filmes que estavam em lançamento naquela época. Eram muitos os que ele gostava, mas as mulheres são sempre muito exigentes – pensou. Tenho que escolher um filme que Joana goste, não quero entediá-la com um filme que ela ache chato.

   Ela saiu na sua moto, acelerando muito. Como ela adorava aventuras! Todos os finais de semana ia com a galera dela, fazer trilha no interior. Ele ficava morrendo de ciúmes, pois sabia como são os motoqueiros, a maioria galinhas. Mas confiava tanto em Joana e sabia que ela o amava e nunca o trocaria por uma aventurazinha qualquer com um daqueles motoqueiros.
   Leonardo vai à geladeira, toma uma coca que parece não ter sabor nenhum, tudo na vida dele tornara-se amargo depois da morte da sua amada. Ela saíra prometendo vir logo, mas aquele maldito ônibus levou a vida dela para sempre.
   Ela tenta ultrapassar um caminhão, sem notar a aproximação do ônibus que vem em sentido contrario. O ônibus pega a moto em cheio e ela cai desmaiada, porém não tinha morrido. Ela levanta-se e se senta nos asfalto. Não sente nenhuma dor, agradece por estar inteira, apesar de ter perdido quase que totalmente a moto que tanto ama.
   O susto é grande, ela gira a cabeça de repente e ver que não consegue pular para fora da pista. Outro ônibus se aproximava rapidamente do corpo de Joana sentado ali em meio ao asfalto. A única coisa que ela faz é gritar. O seu ultimo grito. Um grito de terror, de aflição, de desespero e de arrependimento por ter ficado aqueles breves segundos ali no asfalto pensando enquanto deveria ter se levantado e saído do meio do trânsito.
   Ninguém consegue escapar da morte duas vezes. Leonardo acabava de chegar ao local. Ainda ouviu o grito da sua amada que teria seu crânio em frações de segundos depois, estraçalhado pelos pneus daquele maldito ônibus.
   O grito angustiante de Joana ainda hoje ecoa na cabeça de Leonardo. Ele não consegue olhar para um ônibus quando vai passando pelas ruas sem chorar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário